Entrevista

Entrevista com Sueli Alves, professora e pré-candidata à vereadora em SBC pela Bancada Luta Coletiva

NOTA DO BLOG: Há semanas atrás, em nossa Página no Facebook lançamos um convite (na verdade um desafio) para que pré-candidatos ao executivo e ao legislativo de São Bernardo do Campo, que são funcionários públicos da educação de nossa cidade, respondessem a algumas perguntas um tanto quanto pedregosas.

Apesar de alguns terem demonstrado interesse, apenas a professora Sueli Alves até o momento teve a coragem de responder nossas questões. A entrevista segue aqui na íntegra.

Obviamente, este blog possui lado e definitivamente nosso lugar na história não é em cima do muro ou na janela vendo a banda passar. No entanto, as publicações das entrevistas não representam, necessariamente, apoio do blog à candidatura do (a) entrevistado (a). Nosso objetivo é fomentar o debate. Então vamos a ele 😉

*

Integrantes da Bancada Luta Coletiva. De camiseta branca, a professora Sueli Alves.

STE – Primeiramente, agradecemos sua disponibilidade. Pedimos que você se apresente, falando um pouco sobre sua história, seu cargo e atividade que exerce, seu tempo na rede pública municipal de ensino de São Bernardo, se você atua em algum movimento…

Sueli Alves – Sou professora do Ensino Fundamental na rede municipal de São Bernardo do Campo há 19 anos. Comecei minha atuação política no início dos anos 1990, no movimento estudantil secundarista (Fora Collor, movimento pelo Passe Livre Estudantil, pela implementação da Universidade Pública no ABC e reconstrução da UMES-SBC). Como professora estive nas principais lutas da categoria, como na construção da proposta de Estatuto dos Profissionais da Educação, na greve de 2015 dos servidores públicos municipais e contra a reforma da previdência que atacaria inclusive a nossa aposentadoria, como acabou acontecendo. Hoje atuo no movimento feminista Vermelhas, junto às mulheres do PSOL ABC e na oposição à direção do Sindserv SBC. Agora, encabeço a Bancada Luta Coletiva, uma pré-candidatura à vereança na nossa cidade.

STE – Qual é a função dos vereadores e por que você deseja ser vereadora?

Sueli Alves – A função dos vereadores é a fiscalização do executivo municipal e a propositura de projetos para atender as necessidades da população nos mais diferentes aspectos (saúde, educação, trabalho, mobilidade urbana,  cultura, esporte, lazer).

STE – Por qual partido você é pré-candidata? Quais são as principais bandeiras de seu partido

Sueli Alves – Serei candidata pelo Partido Socialismo e liberdade (Psol), em uma candidatura coletiva composta de seis co-candidatos(as). Eu, Sueli Alves, Jayme Perin Garcia, Eder Alexandre, Rosana Camilo, Fernando Che e Severino Felix (Bancada Luta Coletiva).

As principais bandeiras do meu partido são: defesa da liberdade; não á pena de morte; defesa do estado laico e da liberdade religiosa; combate a qualquer tipo de discriminação (raça, credo, condição sexual), luta por igualdade de gênero, direitos humanos; direito à moradia, trabalho e renda para condições dignas devida a todos os trabalhadores e trabalhadoras, preservação do meio ambiente contra a exploração capitalista; pela soberania alimentar e combate ao capitalismo.

STE – O que é a Bancada Luta Coletiva e como ela se organizaria caso o(a) candidato (a) seja eleito (a)?

Sueli Alves – A bancada é um coletivo de homens e mulheres socialistas, que tem uma construção coletiva de um programa para a cidade. Todos os co-participantes, se eleitos tornar-se-ão co-vereadores. Neste caso, a atuação de vereança será também coletiva e com a participação de todos nas tomadas de decisão da bancada. Além disso, como há entre os participantes diferentes áreas de atuação, a bancada buscará potencializar sua atuação política em várias frentes no município. Infelizmente esse tipo de candidatura não é reconhecida oficialmente, mas como em outros mandatos coletivos já existentes, 1 membro entra oficialmente como vereador(a) e os outros co-candidatos serão os assessores. Assim a população quando elege uma candidatura coletiva já conhece toda a equipe que estará a frente do mandato, evitando os famosos apadrinhamentos.

STE – Ok. Então vamos nos referir a partir deste momento à Bancada Lula Coletiva. O partido da Bancada Luta Coletiva compõe a base de apoio ou de oposição ao governo municipal atual?

Sueli Alves – Nosso partido é uma opção da esquerda na cidade e atua em  oposição ao atual governo.

STE – Na opinião da Bancada Luta Coletiva, o que a educação pública municipal precisa?

Sueli Alves – São Bernardo é um município com grande número de habitantes e consequentemente, com uma grande quantidade de crianças e jovens em idade escolar. São cerca de 80.000 alunos matriculados na rede. Para atender a esta demanda com qualidade é necessário a ampliação do número de vagas, principalmente no segmento de creche, com progressivo aumento da rede própria e redução da rede conveniada. Além disso, todas as escolas precisam ter as mesmas condições de atendimento aos estudantes. Prédios adequados e seguros, espaço de brincar e praticar esportes, área externa segura. Equipamentos adequados às necessidades. Do ponto de vista dos trabalhadores e trabalhadoras da educação, é necessário que sejam em número adequado para atender a demanda, nos mais diferentes cargos (professores, auxiliares em educação, professores de educação especial, equipe técnica – fonoaudiólogas, psicólogas, terapeutas ocupacionais,  orientadoras pedagógicas, inspetores de aluno e oficiais de escola e equipe de apoio escolar. Também defendemos o fim da terceirização dentro da educação com concurso público para limpeza e alimentação escolar. Também defendemos a ampliação do atendimento da EJA de forma descentralizada e também a oferta de educação profissional. Além disso, também é necessária uma reformulação do Plano Municipal de Educação que seja construído com o coletivo dos trabalhadores/as considerando a necessidade de formação específica para atender as demandas da Lei 10.639/03 que foi alterada pela Lei 11.645/08 e também das questões de sexualidade e gênero,  bem como uma revisão do Estatuto dos Profissionais da Educação onde haja ampla discussão e respeito à decisão dos trabalhadores em sua efetivação.

STE – Em relação aos direitos dos profissionais da educação pública municipal, quais bandeiras a Bancada Luta Coletiva defende e por quê?

Sueli Alves – Redução da jornada de auxiliares em educação para 30h;

Reajuste salarial imediato com reposição das perdas inflacionárias e aumento real;

Formação continuada para os profissionais em parceria com as universidades públicas da região;

Revisão do plano de carreira, cargo e salários previstos no Estatuto;

Construção de comissão composta dos diferentes profissionais a fim de coibir e educar no combate ao assédio moral no serviço público.

STE – Entre 2010 e 2013, os profissionais da educação pública municipal de São Bernardo do Campo realizaram um movimento de construção de uma proposta de Estatuto dos Profissionais da Educação. O governo apresentou um projeto com pontos contrários aos interesses dos trabalhadores, colocando cargos em extinção na vacância e apresentando um plano de carreira diferente do que o proposto pelos educadores. Você pertencia à rede de SBC na época? Qual foi o seu posicionamento e por quê?

Sueli Alves – Eu, Sueli, parte da Bancada Luta Coletiva, pertencia à rede municipal e defendi a proposta de Estatuto construída democraticamente pelos profissionais da educação, atuando diretamente na construção como representante na unidade escolar durante o processo e também como representante eleita entre os pares para representá-los na abertura do congresso dos Profissionais de Educação para a construção do Estatuto.

STE – Um eventual mandato da Bancada Luta Coletiva poderia ser instrumento de defesa dos interesses coletivos dos profissionais da educação pública municipal? Como isso aconteceria?

Sueli Alves – O mandato da Bancada estará a serviço de todas as lutas dos trabalhadores do município, apoiando os movimentos, dando voz aos trabalhadores no plenário da câmara e construindo junto a eles propostas de melhoria para a educação municipal.

STE – Se seu partido for da base de sustentação do próximo governo, você votaria a favor ou contra medidas contrárias aos interesses dos profissionais da educação?

Sueli Alves – Estamos com uma candidatura dentro do Psol porque acreditamos que este partido representa os interesses da classe trabalhadora. Mas num possível conflito de interesses, nosso mandato estará sempre ao lado dos trabalhadores/as.

STE – Qual a opinião da Bancada Luta Coletiva em relação ao governo federal? Por quê?

Sueli Alves – O atual governo caracteriza-se como um governo de extrema direita, reacionário e genocida, que ao longo do seu mandato tem destruído nosso país nos mais diferentes aspectos. A cartilha ultraliberal deste governo tem imposto à classe trabalhadora muitas perdas com reformas que estão usurpando os direitos dos trabalhadores e também atacando de forma brutal os direitos democráticos no país. Somos a favor da imediata saída deste governo através de um amplo movimento do trabalhadores, movimentos sociais e  sociedade civil organizada.

STE – a Bancada Luta Coletiva é a favor ou contra a militarização das escolas públicas? Por quê?

Sueli Alves – Somos totalmente contrária à militarização das escolas porque acreditamos numa educação libertadora, humanista e democrática.

STE – A Bancada Luta Coletiva é a favor ou contra projetos como o Escola sem Partido? Por quê?

Sueli Alves – Somos totalmente contrários a movimento desse tipo, de caráter autoritário e cerceador da liberdade de cátedra e dos direitos das crianças/jovens. A escola deve ser espaço de livre debate de ideias e de produção de conhecimento científico.

STE – A Bancada Luta Coletiva é a favor ou contra a abordagem de temas sobre gênero e diversidade na escola? Por quê?

Sueli Alves – Nós da Bancada Luta Coletiva somos totalmente a favor da educação sexual e de gênero desde a primeira infância. Pensamos que os professores desde a creche tem de ter formação – inclusive defendemos que o município faça parceria com as universidades públicas para ter formação sobre o tema -, para poder atender as crianças nesta questão. Estas discussões de sexualidade e de gênero entendemos que ajuda a combater o machismo estrutural e também a homofobia. As nossas crianças depois vão para o Ensino Médio e o ambiente da escola nesta etapa é o segundo mais hostil para jovens homossexuais, para adolescentes homossexuais. Então, existe essa preocupação também com a violência que as crianças sofrem. A escola tem de ser um espaço onde elas têm a oportunidade de falar sobre o seu corpo, sobre possíveis violências, que elas possam entender situações de violência sexual como violência e a educação sexual e de gênero garante essa possibilidade de compreensão, que as professoras estejam mais preparadas para identificação de violências sexuais que as crianças sofrem. É preciso haver a educação sexual e de gênero e que as professoras tenham formação para intervir quando necessário.

STE – Deixe uma mensagem para as pessoas que estão lendo.

Sueli Alves – A proposta da Bancada Luta Coletiva é unir forças pela cidade. Construir um mandato horizontal e de amplo diálogo com a população, atento às necessidades dos munícipes colocando-se como porta-voz daqueles que sempre estiveram a margem, dos oprimidos. Um mandato que dê vez e voz aos de baixo na luta contra as opressões e radicalmente na defesa dos direitos humanos.

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